'Gracias'

a palavra "gracias" é, de longe, a que mais uso aqui em Buenos Aires (daqui por diante designado como BsAs). Ocasionado pelo meu zero-conhecimento de castellano, só me resta ser simpático sorrir universal e gracias.

a viagem foi o cu imaginado: saimos de casa 14h45 e entramos no táxi 2hqualquer-coisa do outro dia (outra hora falo sobre esse itinerário; lembrem-me de falar do taxista portenho doido).

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Viajolo bueno

Cara, eu nem lembro se algum dia gostei de carnaval.
(o mais provável é que tenha me empolgado com alguma bunda ou outra de mulata quando era mais piazote)

já fui nuns bailes toscos, mas quase nunca cheguei a entrar no salão da folia.

Falta de ginga? Portador de de deficiência de malemolejo? Chato? Metido a cabeção que não curte festas populares?

não, nada disso.

simples: se você tem o direito de achar bom isso que eu acho uma merda, eu tenho direito de achar uma merda o que você acha bom.
(não existeu quem gostasse da Fanta maçã? - ficamos cada um a seu canto a lamentar o mau gosto do outro)

sempre tive vontade de estar em algum lugar que a sessão da tarde não fosse substituída por compactos dos desfiles das escolas de samba, que as praias não estivessem lotadas de foliões, que não se ouvisse a piadinha de "tu viu a mangueira entrar ontem?".

por isso, ponho o bloco na rua e com muito samba no pé amanhã pego um avião pra curtir meu carnaval em Buenos Aires.
(que segundo informações está até esvaziada de argentinos, pois eles vieram botar seus mullets pra 'saltitar el carnaval' nas praias de Santa Catarina).

este ano, pra mim, vai parecer que não existiu Carnaval.
(espero...)

Todo carnaval tem seu fim - Los Hermanos


 

Chuva do final do dia

se sempre chove na hora de ir embora, pela regra de 3, é bastante óbvio que as coisas todas desandem 15 minutos antes do começo do final de semana.

lógica matemática aplicada.

Math wiz - Luna


 

Pílulas de verdade (tome 2 a cada surto)

quando eu era criança achava que ia ser desenhista da Marvel.

até hoje acho que as alfaces são adocicadas. por isso como algumas com um belo copo de leite.

Fome de tudo - Nação Zumbi


 

Lendo outras

Leio quadrinhos desde muito novo. tinha 6 ou 7 anos e já pus em marcha o projeto de entupir estantes - confirmo a informação que esse projeto nunca teve aval de minha mãe -- embora ela mesma me desse o dinheiro da compra das revistas.

passei um tempo Patópolis e no bairro do Limoeiro, mas acabei me mudando pro multiverso dos super-heróis, vivendo num crossover entre Marvel e DC.

(cheguei a ter assinatura das 2 simultâneamente e comprar Spawn).

com o tempo, retirei a cueca de cima das calças e usei a capa de cortina. conheci a linha Vertigo da DC e o tal quadrinho de autor.

me interessei por autores nacionais, italianos, franceses e ingleses.

e - pasmei - existiam autores americanos com gibis de caras que não voavam: o underground americano.

mesmo com toda essa diversidade gibizeira, nunca tinha lido mangá na vida. nem Lobo Solitário. não, nem Akira.
(atenção: nunca tinha)

interessado em conhecer uma outra lógica narrativa (e inegavelmente empolgado com o filme Old Boy), semana passada comprei, assim, de bobeira, alguns mangás em sebos: Sanctuary, Yuki, Crying Freeman, Lobo Solitário, Monster e Battle Royale.

agora aguenta.

haja grana. haja estante.

Woo hoo - The 5,6,7,8's


 

Estudo para trechos finais de textos ficcionais #1

afinal, ela era a MUSA.

a ins-piração vinha dela.
mas ela - também apelidada talento - só se dava a conhecer quando o ins-pirado reconheciam-se-lhe.

era o que ela pensava. desconsiderava a prima Técnica.

eis então, uma musa lírica, que já fez uma ponta na Ilíada, ficou toda prosa, por uivar no ouvido obscurecido de Allen Ginsberg.



Wednesday night prayer meeting - Charles Mingus


 

Novidades

sempre tem a primeira vez pra tudo.

hoje motivado por festividades empresarias, será a primeira vez que visto essa roupa bizonha.

 frenesi ficou por conta do garbo antártido


se me conhece, ria até cair da cadeira.

se não me conhece... ah, sei lá!

Meu refrigerador não funciona - Mutantes


 

Nerdice #8

Esse negócio de quadrinho na internet.
sempre achei que era só um jeito de ler descomodamente sem pagar por isso.

porém, descubro uma das primeiras tiras virtuais criadas.

o cara usa uns recursos super simples do meio (como barras de rolagem) de modo muito inteligente.

Leiam When I am king.

um rei que só queria passear por um campo florido e acaba envolvido com um camelo.

um verdadeiro clássico!

Supersonic - Oasis


 

Pelos poros

No perto, entre teclado e mouse, esfrego circular os dedos e sei do suave suor.

as mãos, próximas, seguram a cabeça sono-lenta e se espalham líquidas pela testa.

olho pra teLaCD, mas os olhos preferem esperar longe dali.
longe, nem os braços espriguicentos alcançam.

lá longe, onde estão as idéias, com ar-condicionado e caldo de cana gelado.

longe, como o final do expediente.

Black postcards - Luna


 

Todo mundo é um pouco Trevisan

Ele e Ela nunca se entenderam muito bem.

começo manco:
noite estrelada por acasos e coincidências-carro, os dois, em pé, bestas cansadas de aguardar pela senha sensatez.

Em 9 meses, não-credito-que-fez-isso-comigo-,-filho(a)-!-, casamentinho no salão de festas, vestido bege (mãe proibiu branco), fraldas descartáveis da Mônica, Luquinha.

Hoje, puxadiinho no canto da casa do sogro. Ir, até vão bem. O problema é quando páram. TV ligada, paredes pertitas, teto alto como um grito de gol do Galo. Sufoco.

Ir de vez, mundo acima. Ele, ao longe; Ela, ao largo.
Luquinha? Deixa com as vós...

Ele olha pra mala; Ela olha pra mala.
Sobre a estante, a mala, monogâmica, aguarda definições.

Love me two times - The Doors


 

Zumbizada

Descobri que ainda nesse ano estréia um longa de terror nacional.
feito por um povo lá em Porto Alegre.

chama-se "Porto dos Mortos".

e, pasmem, sim é um filme de Zumbis.


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Laerte

não é de hoje que sou fã do Laerte:



Conversa de botas batidas - Los Hermanos


 

Livro da semana

Depois de terminar o bom "Fantasmas de Caligem", de Paulo Venturelli - ô, coisa bem escrita. tu pode até não se empolgar, mas a habilidade de Venturelli com a palavra escrita é fodástica - me embrenhei em ler um título que me interessa faz um tempão : "Eles Eram Muitos Cavalos", de Luiz Ruffato.




a narrativa é ágil e cortada em pequenos 68 bifes, que são entregues mal-passadas ao leitor.

pelo que entendi até agora representam várias cenas do todo que é um centro urbano doido do naipe de São Paulo.

cada capítulo trata um tema, de um modo, com uma técnica peculiar e adequada ao seu conteúdo. mas é tudo urbano: elemetos humanos de cidade, concreto, relações transparentes como vidro sujo de prédio público e o ar da poluição nas entrelinhas.

a velocidade é tanta que poucas páginas garantem a narrativa de cada capítulo.

já o título esquisitão é verso de um poema da Cecília Meireles.

Aqui a experimentação formal não é pelo simples prazer do laboratório, é pelo bem-fazer da obra que proporciona.

Sao Paulo - Morcheeba


 

Alegria de pobre

Hoje, acordei 5h25 da madruga pra fazer a 2º da carteira de identidade.

esperei na fila até 8h40.
mas rolou!

e consegui dar sabor à expressão alegria de pobre.
duas vezes.

a primeira delas foi quando eu descopbri que tinham liberado 40 senhas a mais além das habituais 50, o que garantiria o sucesso de minha madrugada. sorri bobo, tipo quando era criança e ganhava um jipe dos Comandos em Ação.

a segunda vez foi quando uma moça me propôs um brique de senhas ( na verdade ela propôs à Vanessa que me bem-acompanhou no périplo, mas é bem mais legal contar em primeira pessoa - lembram do Clube da luta?).

a cidadã me ofereceu a sua 00029 pela minha 00044, pois a cabaça, quer dizer, a santa esqueceu um documento em casa e ia voltar pra buscar e precisava de um tempinho a mais pra isso.

ou seja, [u-huuu mode]

para completar a pobreza só faltou o frango com farofa.

em 5 dias úteis, uma nova identidade, foto colorida, número do CPF, nova assinatura, mas o mesmo Lz.

2001 - Mutantes


 

Estudo para infâmia breve relacionada a ditos populares nº 1

Era uma vez,

um país em que tudo era tão caro, tão caro, com inflação tão alta, tão alta, que não se usava mais dinheiro.

Cobrava-se os olhos da cara e pronto. como se pode imaginar, essa é uma moeda extremamente valiosa, pois existe em pequena quantidade.

deu certo: a inflação caiu a níveis ridículos.

só que bateu a recessão: ficaram todos cegos. as pessoas, desesperadas, procuravam meios e fins justificáveis para transacionar comercialmente.

Porém, o Rei do país - que era caolho e prezava pelos valores familiares - pressintindo que a coisa ia degringolar, promulgou: "pode-se cobrar o(s) olho(s) da cara por qualquer coisa, mas no olho do cu ninguém mexe!"

Longa vida ao Rei!

Black eyed - Placebo


 

Igualdade social

sabe aquele papo que o voto do presidente da república, do Lielson Zeni, do Paulo Coelho, do Humberto Martins e do cara que atende na bodega da esquina tem o mesmo valor?

olha, acho a idéia um pouco equivocada. pois enquanto um voto pode ser comprado em por 50tão em áreas mais pobres das grandes cidades, o voto de um fazendeiro (logicamente, adicionado dos empregdos como bônus) vale favores políticos calculados em milhares de dinheiros.

sempre pensei nisso como um papinho pra convencer a gente a ficar quietinho e considerar as eleições uma festa da democracia (embora ninguém nunca tenha me oferecido nem um brigadeiro).

amanhã, precisarei ir a uma delegacia "renovar" minha identidade (pedir segunda via, pois a minha já tem mais de 10 anos de expedição).

preciso estar na porta da delegacia às 6h da matina pra ficar na fila das 50 senhas do dia e ser atendido lá pelas 10 horas. E, cara, é meio que minha obrigação manter minha documentação atualizada. como de qualquer outro brasileiro.

por menos que eu goste ou queira fazer isso.
e a parte do voto, que tem a ver?

tem a ver que naquela maldita fila, 6 da manhã, ali, não vai fazer diferença. ali, não importa sua classe social. ali todo mundo toma no cu e fica de saco cheio de tanto esperar.

ali começa a tão sonhada igualdade social, na porta da delegacia. uma verdadeira lição de civilidade.

Bullet in the head - Rage Against the Machine


 

Atari Art

Eis, enfim, um belo apanhado de arte contemporânea de forma moderna e temática atual (os anos 80 foram logo ali).

Quatro vídeos produzidos pelo francês Guillaume Reymond, recriando jogos de Atari com stop motion e pessoas.

esse aqui, na minha modestíssima opinião, é o melhor:



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Sabichão

este programa aqui diz que acerta aquilo que você pensar.

(((medo)))

acerta metade e passa perto num monte.
dá uma brincada aí.

ele é inteligente até.
só um pouco artificial
(ai!)

Mate essa, batimã!

mas notem as sequências de perguntas.
anotem, inclusive.
pode ser útil pra brincar de mímica.

I know - Placebo


 

Níquel Náusea

Duas tiras de Fernando Gonsales, o infame.

gosto tanto do trabalho dele que QUASE fiz o meu mestrado sobre o trabalho dele e do Laerte.

como quase é café com leite - alguém sabe a origem dessa expressão? -, falo isso só pra ocupar espaço mesmo.

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Eu juro

"Não vou fazer nenhuma promessa de virada de ano"

de costas pro mar, comprometeu-se a isso em cada uma sete das ondas de rádio que pulou.

A promisse - Echo & The Bunnymen


 
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