Lugar Certo

Uma modesta proposta em prol da leitura I

Se deputado (eleito pelo PNC):

Diria que o primeiro passo de uma longa jornada de incentivo à leitura foidada (perdoem o trocadilho) pela campanha publicitária de minha mui amiga Helena. Vocês lembram, não?

Mas criar-se o desejo não basta. Faz-se necessário ir um pouco mais, ousar um pouco mais. Portanto, apresento aqui meu projeto de campanhas de ordem prática para incentivo da leitura.

Eis a primeira, que surge do questionamento: como pode alguém conseguir ler, se não há espaço para isso?
Pois bem, criemos tal espaço. E quando falo em espaço não penso em ultrapassadas salas de leitura ou cadeiras afofa-bunda nas bibliotecas. Todos sabem que a leitura surge forte e alvoraçante em momentos de translado e em momentos de espera.

Sempre me perguntei: por que os velhos, adultos com crianças de colo ou na barriga devem sentar e nós, leitores, permanecermos em pé, prejudicados de nosso sacro direito de letras?

A atitude é simples: os bancos preferenciais seriam para leitores, em primeiro lugar. Velhos, mulheres grávidas e pessoas portadoras de crianças de colo ou de necessidades especiais deverão ceder lugar aos leitores.

Dirão alguns: Incauto! Doudo!

Pois eu digo: Defensor de meus ideais! E ouso: avã-la-létre.

Quando for obrigado a levantar para dar lugar a um leitor, o próprio idoso será empurrado contra a parede da biblioteca e terá que ler para garantir sua buzanfa seca e enrugada sobre o confortável banco plástico de nosso transporte público.

Chegaremos a eles, monstrando-lhes os benefícios da leitura, como a leitura é confortável e estável. Sem falar na motivação de milhões de leitores que não praticam seus hábitos desfalcados das condições dignas para tal.

Penso também em "letrovias". Sem Bicicletas, sem patins, sem carros, sem gordos caminhantes, sem bomabados suados corredores, sem cães portadores de bosta. Leitores poderiam em fato e ato "andar lendo" determinado livro. Vias que levem, senão à Roma, pelo menos bairros-centro.

(...)


Black book - Stephen Malkmus

Publicado em 07 de abril de 2008 às 09:47 por lielson

Comentários

  1. Massachussets da Silva
  2. Giuliano
  3. primeira dama
    • Meu voto é seu. Estou certo de que, para que a campanha vá para a frente, seu governo instituirá um imposto sobre bombados -- o equivalente a 5.312% do valor que eles desperdiçam mensalmente em complementos alimentares, por exemplo. O valor coletado pode ser repassado às bibliotecas. Ou, então, o governo pode aproveitar a "bombada" na arrecadação para isentar os livros de qualquer taxa. Determinados livros, no entanto, pagarão sobretaxa -- um imposto maior que o do cigarro, por exemplo -- para desestimular sua leitura. Pode começar pelo Paulo Coelho. Se você quiser, posso assumir o Ministério da Grana (na sua gestão, deduzo que o Ministério da Fazenda ficará subordinado ao da Agricultura, por motivos óbvios).
    • por jasper
    • 07.Abr.2008 às 15:22 - Permalink - Reportar
    jasper
    • Como assessora parlamentar, permita-me corrigir seu discurso, nobre deputado. Onde se lê "Faz-se necessário ir um pouco mais", leia-se "Faz-se necessário ir muito mais fundo".

      E continemos a cruzada em favor da democratização da leitura! A luta continua!
    • por helena cogumelo, Quem não lê, não viaja
    • 08.Abr.2008 às 07:47 - Permalink - Reportar
    helena cogumelo
    • Agradeço o apoio de todos os companheiros.
      Jasper, nomeado como assessor de assuntos "dos colono agrícula".
      Helena, muito bem apontado. como sempre suas observações são salientes e incisivas. a retificação será feita na segunda edição.
    • por lielson, - de L a Z, o Brasil lê.
    • 08.Abr.2008 às 10:41 - Permalink - Reportar
    lielson
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